sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Amar: uma cantiga de roda
Quem sabe
amar
seja somente
esse morrer
doce inocente.
Talvez.
Quem sabe.
E morrer
de novo doce
e inocente
toda vez.
Talvez quem sabe.
Talvez
amar seja.
Só.
Quem sabe.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Escavações
Longe,
bem longe,
em uma
das casas
do passado dele,
morava
o sorriso dela.
Um sorriso
que o acordava
todos os dias
do sofá esfiapado
da sua vida
já sem teto.
E vivia ali,
desenho
arqueológico
no meio
de paredes
carcomidas,
solto em si,
aquele sorriso
de marfinar areias,
de transpor
mãos em concha
no rosto.
Sorriso calha,
canal onde
a minguante vida
ainda
lhe escorria.
Era um
sorriso turístico
que singrava
o norte sul
do seu corpo
envelhecido.
sábado, 28 de janeiro de 2017
No mundo do jogo
No baralho
fechado,
rainhas,
damas
reis,
coringas
e valetes
vivem
intrincadas paixões.
Em duplas,
trincas,
em quadras,
quinas
ou unos...
nunca
se sabe bem.
Sabe-se que
desse jeito,
na surdina
do baralho fechado,
o amor
tem feito ases.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Minhas águas
mais nocivo
ao ser
mais dócil
e infinitesimal,
em tudo caibo.
Sou de muito,
quando
em minhas
vértices.
E tudo
que me
comporta,
verte-se
nesse
espiralado
poço sem fundo
e empoema.
Empoesia-se
nesse meu
sumidouro
de versos.
domingo, 22 de janeiro de 2017
"In the archaic model"
que eu junto
em colheradas
todas
as mulheres
que me antecedem
e vivem nuas,
absconsas
no paraíso
que me mora.
Nesses momentos,
conchas
se abrem no mar,
Abelhas
se abastam
de mel,
Senhoras
saem das salas.
"In the archaic model",
e nessa hora,
eu me visto
de vestido
e me dispo
do ancestral
(in) vestido.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Em nosso papel
Teu domínio
sobre a neve de mim,
tua ossatura pesada
sobre minhas linhas
_ literárias veias.
Teias de glitter.
Escreves em arabescos,
Teias de glitter.
Escreves em arabescos,
corro em rabiscos.
Dedos ariscos
correm sobre nós,
Corremos riscos.
Não fugimos de impressões.
Morremos na pena.
Morremos na pena.
Cá, morro segredos.
Em tinta, tu discorres;
Por tintas, eu escorro.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
domingo, 15 de janeiro de 2017
Parque dos dinossauros
Ouviu estalinhos
vindos do chão.
Pisava
alguma coisa
que escaqueirava
sob seus pés.
Intrigou-se.
Mas ele não
se dava conta,
tive que falar.
Eram os ossos
do nosso amor
caquético,
estridente
e sem sucesso,
que ele esmoinhava
quando seguia adiante.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
A dama do jogo
Na sala,
(re)vestida.
Before long,
o longo
vestido
c
a
i
ao longo
do corpo
no quarto.
Seus quartos nus.
His emotions.
Alonga a vida,
a lânguida vida.
Her reasons.
A fio
de lâmina
(gélida)
a seda
rasga o
porcelanato.
sábado, 7 de janeiro de 2017
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Sem perfume
Na forma,
na textura
e na cor
parecia
comum.
Mas era
um tipo
de flor
que só
se abria
com poções
de magia:
uma mulher.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Uma vez para sempre
Once upon a time
um ano novo cheio de passos
que veio não se sabe de onde...
Once upon a time
um homem que se abriu
para a entrada de uma mulher...
Once upon a time
uma mulher que penetrou
o universo de um homem...
Conta-se de um tempo
em que homens e mulheres
se percorriam ponta a ponta,
depois seguiam sós em multidões internas.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Poesia: nosso Olimpo literal
domingo, 11 de dezembro de 2016
A inalcançável alma da mulher
So many times,
em noites
insones,
ele subia sóbrio
e sem andaime
pela parede
do quarto.
Queria chegar ao teto.
Caía.
O teto era longe.
O teto era ela.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Coisas do amar
não se sabia perdas,
não se sabia pedra,
não se sabia Pedro.
Até amar,
ela não se sabia nada disso.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Dias sem sol
Viveu
encantos,
viveu
escanteios.
Enquadrada.
Sem o temor
de se esquecer
se mantinha
em cantoneiras:
punha-se
no canto da mesa,
se sentava
no canto do sofá,
dormia
no canto da cama.
Mátria
em cantos todos.
Hoje num
ato falho
ela guarda
sua história
no cantinho
de um dos olhos.
O barulho da paixão
A voz rouca
da paixão
cantou hoje
no meu ouvido.
De cara,
pareceu um
assobio gaio
de menino.
Mais tarde,
me lembrou
o canto
sibilino
do urutau.
Depois
semelhou
o apito enfado
de um
guarda-noturno
apartado.
Na verdade
era tudo junto.
Sequência
de vagões.
A voz rouca
da paixão,
cantada hoje
ao meu ouvido,
era a chegada
de um trem.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Os dois nudes do museu
No corpo
dela
o dia madruga
na tela
clara.
No corpo
dele
a noite dorme
na parede
escura.
Mas
se juntos
dois nudes
pintados,
não há dia
iluminado
em telas
nem noite
sombreada
em paredes;
há um tempo
que se dissolve
em aguarrás.
Ingenuidades
Brincando,
por tantas vezes
morri tanto
em teus (a)braços,
que nem
me dei conta
quando deveras
eu morria
no teu peito.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Das branduras
Descobri:
suavidade
é coisa
mandada.
Coisa feita.
Vem de
encomenda.
Qualquer
delicadeza
tem a missão
de acertar
em cheio
(hole in one)
o coração
da gente.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Roupas da alma
Existe
"saia do passado",
existe
"vestido de presente",
e existe
um "terno futuro".
Vê? Existem roupas
que combinam mais
que outras com você.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Se ouço a tua música
Quando a noite
me pede
passagem
para algum
passado
(suspenso por grua)
regurgitado
do meu peito,
eu acendo
velas suadas
voltadas para
o sentido
do meu futuro.
Velas encerram.
Velas põem
a caminho.
Deixo assim
que a parafina
cumpra
seu papel
impermeabilizante:
sele estórias,
isole os tempos
liquefeitos
nos verbos,
e repila
a água quente
que me brota
dos olhos.
A cerca do futuro
Aqui estou,
tensa,
diante desse
future tense
que chega
daqui a pouco
num jet plane
com flight plans
que desconheço.
domingo, 6 de novembro de 2016
A vida nas asas de Brasília
Nuvens em flocos,
sorvete de flocos,
clima de Marrocos,
a vida em blocos
e você assim...
todo derretidinho.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Pés brancos
Eles vadiam
pela tua poesia,
voam fantasmados,
pousam perto de ti
a te rogar abrigo.
A pedir tua proteção,
a te exigir um destino.
Meus pés brancos
buscam o rumo
da vida em tuas mãos.
Querem a tua sorte,
a insensatez de vagar,
almas penadas,
mundo afora contigo.
"Broto"
Eu venho
de chãos
quentinhos,
sou
winged seed.
Se me guardo
by your side,
é que confio
em seu refúgio
para me
reverdecer.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Desigualdades loviais
Desta vez
o começo
é de todo
tão dissemelhante
de outrora,
que só quero
o meio
e o fim dessa história,
dissemelhantemente
igual
ao início de agora.
domingo, 16 de outubro de 2016
Eu
Mata-me
onde não
te faço feliz.
Depois vela
minha parte
onde
verdadeiramente
sou eu,
onde não
sou um
dos teus
inventos.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Belicosidade poética
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Digitais de passarinho
Houve um tempo de confissões. Então ela lhe disse que passara por ela pássaros de asas feridas que a descobriram, passara por ela pássaros de asas gigantes que a encobriram, passara pássaros de asas rápidas que a divertiram. E como forma de aquietar, ou talvez incitar nele os ciúmes, ou ainda seduzi-lo com a lembrança da habilidade dela com a língua; ela lhe disse que aquele era um passado mais- que-perfeito.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
sábado, 27 de agosto de 2016
Ela em seu caminho
Contramão
da tristeza,
existe uma via
de risos engarrafados
naquela mulher.
Há uma estrada
de velocidade
descontrolada
pela insensatez,
por onde ela passa.
Na face
daquela mulher,
tanta beleza:
há uma "autobanh"
para gargalhadas,
com uma depressão pagã,
margeada por brincos de princesa.
domingo, 14 de agosto de 2016
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Dois candangos
Em troca do suor
de tua risada
dou-te
tudo que tenho,
moreno da norte.
Leva-me contígua,
meu
engenho de sonhos,
meu passarinho
de outra Asa.
Mas, prometa-me,
meu Sereno,
noite dessas,
qualquer dia,
traz de novo
tua ousadia
pra brincar
aqui em casa.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Poesia em pó
Ah, eu?
Eu bebo
na fonte
da poesia
instantânea
que
me analgesia,
meu amor.
A minha dor
de poema
dissolvida
nessa
veia literária
é vida
que avinha.
E é tanto,
que já me faz
durar mais
de cem dias
tonta;
sem te sentir,
sem teu encanto.
Assinar:
Postagens (Atom)






































