sábado, 3 de junho de 2017
Amor de fé
Em junho,
meu bem,
o amor
que a gente sente
dá provas
à sua maneira:
pisa descalço
a brasa
da fogueira
pra mostrar
a fé que tem.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Viração
a redemoinhar,
conceitos rotos,
pensamentos
em rodopios,
certezas frouxas.
E ela ali,
diluída no vacúolo
de palavras áfonas.
Agora,
os pés como asas,
soltos nos ares,
suspensos, calados,
calosos
de tantas ágoras.
E ela
a desconstruir
internalizações
e a se revirar
no interno
de suas veias.
Ali, no meio
de um sopro louco,
naquele poço,
toda encanto:
silêncio de sereia.
Divinamente
ventada pela vida,
tão "other than that",
tão ventilada.
sexta-feira, 26 de maio de 2017
"De ti e de mim"
Há dias de
tecidos coloridos
em minha poesia.
Tramas ruidosas,
amarradinhas.
Hoje mudo.
Falo de pontos
e de nossas escuras linhas.
De nós soltos
nesse pano da vida.
Nós rotos, rompidos.
Nós, "so to speak", arrebentados.
sábado, 20 de maio de 2017
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Só entre as flores
quinta-feira, 11 de maio de 2017
As contradições de um jardim
Eu ouvi
de um passarinho
que
brotam rosas
do teu ninho.
Mas ouvi
das prosas
margaridas
que
minhas
'aparecidas'
ainda te espinham.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Às pastorinhas todas
Mãos
em concha,
te trazia
estrelas frescas
colhidas
do meu céu;
em
meu colo
melífluo,
visco
pra te aderir.
Nestes
olhos aguados,
aquariado
vivestes Beta.
Da minha
boca Brasil,
dava a ti
a chama
quente cigana
de Vinícius;
verdades
augustas
dos Anjos;
versinhos
à la Quintana
e a ilha
intimista
de Cecília.
Da minha boca
provinciana,
eu, poesia rouca,
chegava a ti
por mim.
E ai de mim
que ia
pelo mundo assim
(em bom Português)
tão sem pastor
a me cantar
em liras.
Tão Marília sem Dirceu.
sexta-feira, 5 de maio de 2017
"Um dia de fico"
Fincou
os cílios postiços
no olhar cortiço
dele
e atrelou
seu colar
àquele pescoço.
Cravou
naquele peito
um salto fino.
Assim
fundiu-se
naqueles
olhos
inquilinos.
Colou
em uníssono
sua voz
sonolenta
à voz dele
e se enterrou
naquela alma
feito um
bichinho de pele.
Um bicho
miúdo
com
o domínio
de um miúra.
domingo, 23 de abril de 2017
Ventou saudade
A saudade
surgiu
assoprada
da rua.
Anemófila.
Veio maviosa
desta vez,
fez cócegas
no meu ouvido,
pousou
borboleteada
aqui
no meu peito.
Levou leve
a mão nos
meus cabelos
coloridos,
amansou
o vermelho.
Assentou
dentes suaves
na maçã do meu rosto;
descansou
olhos verdejantes
no pente fino
dos meus pensamentos.
Voou em mim.
Pousou
asas maduras
na minha liberdade.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Fluidez
A cama desfeita,
o presente,
o peito silente.
Um sorriso,
a voz murmurada,
o pé na estrada.
Soltura,
espaço,
o aperto no passo.
O beijo,
um poema,
a oposição ao sistema.
Sentimentos escoam
e águam o fugaz:
é tempo de amorES corridos.
sábado, 15 de abril de 2017
Com os olhos do coração
Estava
com a cabeça
ajardinada
e tinha
os pés nas nuvens;
No vai e vem
do caminho,
encontrou um jabuti.
Da sua
sua condição
amantética, ria,
pois até
um jabuti-piranga,
sem o condão
da estética,
redondão,
cara de cobra,
tinha certo
encanto, naquele dia.
terça-feira, 4 de abril de 2017
Extratos
Fala.
Conta
pra mim
da tua vida
em "Dublin".
Conta
desse "lago escuro"
que me bane
da tua poesia.
Conta
de quanta gente
tu tens te feito
hoje em dia.
Conta de Rosário,
conta de lágrimas,
conta do banco
da praça.
Conta do começo,
da traça do
fim do mês.
Conta corrente,
conta a aliança
de trás pra frente.
Con-ta.
Con-ta tu-do
a conta-gotas.
Canta comigo.
Faz cálice
do meu umbigo.
Conta nós dois outra vez.
domingo, 2 de abril de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
Onde os passos não chegam
Na época
não disse "sim"
tampouco
disse "não".
Hoje,
sem do futuro
qualquer
certeza,
amarra
o passado
ao pé da mesa,
de medo
que ele saia
correndo
de dentro de si.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Luas de mim
Descaminhos
de viver assim,
de louquidões
e "rock and roll".
Era uma
"rag doll"
nas cordas
da vida de metal.
quinta-feira, 23 de março de 2017
"Like angels"
ao caminho,
se ajoelhou
à margem da estrada
e tomou fôlego
em papos-de-anjo.
Meio tonta,
desatou
o nó cego
da dor maciça
que arrastava
e voou like angels,
passarinho içado,
por esse mundo de Deus.
quarta-feira, 22 de março de 2017
A inquietude das folhas mortas
Eu me outono
em torno,
Tu te outonas
em termos,
Ele se outona
em ternos,
Ela se outona
e inverna.
Nós OU to(R)namos OU não...
terça-feira, 21 de março de 2017
Das sutilezas do moço
Num lugar
que não sei bem onde,
nem sei o nome,
no fundo do bolso
da camisa dele
Lá atrás,
lá onde a camisa some,
lá onde as pessoas
que ele ama vão morar,
vi um vaso solitário
com um amor-perfeito
na sala de estar.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Tempo rosé
Uma guinada
e tudo
volta a ser.
Uma reviravolta
e um "past"
se conjuga
no presente.
Tudo
pluga,
circunflexa,
gerundia.
O dia seguinte
circunflui amares,
despeja risos
em oceanos
que gargalham azuis.
No lusco-fusco,
heras
ganham os muros.
À noite
velas
debruçam ceras,
roupas
se entornam
no vinho;
noite afora
sedas
se derramam
de nós.
domingo, 19 de março de 2017
No alto do Cáucaso
No grilhão
de uma
aliança,
até que
a morte
separe,
você,
acorrentado,
prometeu.
O fígado
exposto
para sempre.
Sua síndrome.
E esse
seu fogo
prometido
que não dorme
nem arde.
Sua entrega,
sua traição,
seu castigo.
Uma agonia
e eu,
no meio do jogo,
no meio do fogo.
Eu que nunca
me quis
tanto harpia
para gritar,
noite e dia,
agudos
no teu ouvido.
Ninho de guacho
O pensamento
me conduzia
pela mão.
Íamos
os dois
sem cuidados
quando vi
a pedra
do caminho:
estradas
me arrastam
a torvelinhos,
estradas
me elevam
aos meus oásis.
De novo,
abstraí.
Rumamos,
pensamento e eu,
desatentos
sobre a cama.
Tão amolecados
e tão fora dos trilhos,
que foi o dia
em que mais
cambaleei em mim.
quinta-feira, 16 de março de 2017
Das regularidades dessa vida
Pra ser
feliz
(vez em quando)
é preciso
(todo o tempo)
desabitar
nosso mundo
de perdão
inconfesso.
Tem que
virar
o coração
pelo avesso
todo dia
e espanar
a poeirinha
que fica
lá no fundo:
lá na casa
da poesia
da gente.
quarta-feira, 15 de março de 2017
domingo, 5 de março de 2017
Mesmices
De longe
ela via
seu parceiro
a se
redemoinhar.
Toda tarde,
chão seco.
Na soleira
da porta,
sentado,
queixo duro
entre os joelhos
e mão pesada,
ele acariciava
os defeitos
que tinha.
Enresinava
pensares,
calejava
a casa inteira.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Vida doce
E por
muito tempo ainda
fiquei lá,
naquele coração
sério dele.
Dando
minhas piruetas,
plantando bananeira
e fazendo estrelinhas
lá dentro.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Amores líquidos
Quer amar
em conta-gotas
de vidrinho?
Que ame.
Você ainda
é menino.
No amor
sou adulta,
seu moço.
Já fui
dos borbotões
das águas claras
de uma cachoeira
às águas turvas
e paradas
de um poço.
Eu posso.
Amo às enxurradas!
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Vida barriguda
Ciúmes,
meu amor?
Deixa
de quadradice.
O amor
é assim mesmo,
coisa anarquizada:
é país de Alice;
mundo
de bernardice;
é a vida grávida da gente.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Cena "underground"
Somos seres
dissímeis,
eu e minha poesia.
Mas às
vezes a gente
se encontra.
Não raro
em lugares
oblíquos.
Nas quebradas.
De verso.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
"Regalos"
Calçou os sapatos
de ir mais longe
e vestiu a roupa
de "ver Deus".
Pegou o pente de pentear
pensamentos desfiados,
puxou a cadeirinha
almofadada da vida,
investiu em seus
olhos mélicos
e mimou-se horas a fio,
em frente ao espelho.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Na casa da poeta
Em leques,
em cruzadinhas,
em livros
abertos,
em cima da cama
e aos montinhos
pelo chão.
Por certo,
na casa dela,
palavras
viviam assim,
sem proteção
nem avesso:
livres, soltas,
sem pontas.
Sempre prontas
para um verso.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Perdoa minha desatenção?
Tua chegada
parecia
um céu de estrelas
caindo
no meu quintal:
raia da beleza.
"It was all".
Sempre acontecia,
mas não era
todo dia
que eu olhava
para cima.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Ninguém é sempre e tanto
Existe
gente céu,
existe
gente chão.
Ninguém é
sempre e tanto.
E o gira mundo
finca a vida
de pernas
pro ar.
Resiste céu,
resiste chão.
Mas se o chão
sobe
pelas paredes
do olhar do outro,
os céus descem
para as mãos.
Mãos leves.
Elevem-nas.
E na face
do outro:
olhos Lévinas.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Amar: uma cantiga de roda
Quem sabe
amar
seja somente
esse morrer
doce inocente.
Talvez.
Quem sabe.
E morrer
de novo doce
e inocente
toda vez.
Talvez quem sabe.
Talvez
amar seja.
Só.
Quem sabe.
Assinar:
Postagens (Atom)


































