sexta-feira, 4 de novembro de 2016

"Broto"



               Eu venho
               de chãos
               quentinhos,
               sou
               winged seed.
               Se me guardo
               by your side,
               é que confio
               em seu refúgio
               para me
               reverdecer.






sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Desigualdades loviais


Desta vez 
o começo 
é de todo
tão dissemelhante
de outrora,
que só quero 
o meio 

e o fim dessa história,
dissemelhantemente
igual

ao início de agora.





domingo, 16 de outubro de 2016

Eu




    Mata-me
   onde não
   te faço feliz.
   Depois vela
   minha parte
   onde
   verdadeiramente
   sou eu,
   onde não
   sou um
   dos teus
   inventos.
  


   
   
   
  

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Belicosidade poética

                                                                                     (Duy Huynh)
    
    Isso de poeta  
    armar poesia
    é paralela 
    indústria bélica,
    deveria ser proibido.
    Dá asas demais 
    ao sem sentido
    e incita 
    revoluções idílicas. 
    






quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Digitais de passarinho



               Houve um tempo de confissões. Então ela lhe disse que passara por ela pássaros de asas feridas que a descobriram, passara por ela pássaros de asas gigantes que a encobriram, passara pássaros de asas rápidas que a divertiram. E como forma de aquietar, ou talvez incitar nele os ciúmes, ou ainda seduzi-lo com a lembrança da habilidade dela com a língua; ela lhe disse que aquele era um passado mais- que-perfeito.
 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Amor-perfeito



          Não é valente,
          apurado,
          "lleno",
          gritado?
          O amor é sem jeito,
          de tão perfeito
          quando em flor.





sábado, 27 de agosto de 2016

Ela em seu caminho

             
             
                Contramão
                da tristeza,
                existe uma via
                de risos engarrafados
                naquela mulher.
                Há uma estrada
                de velocidade
                descontrolada
                pela insensatez,
                por onde ela passa.
                Na face
                daquela mulher,
                tanta beleza:
                há uma "autobanh"
                para gargalhadas,
                com uma depressão pagã,
                margeada por brincos de princesa.
               
           
                
               
           
           

domingo, 14 de agosto de 2016

DIA DOS PAIS



                                                                                    






quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Dois candangos


       
         Em troca do suor
         de tua risada
         dou-te
         tudo que tenho,
         moreno da norte.

         Leva-me contígua,
         meu
         engenho de sonhos,
         meu passarinho
         de outra Asa.

         Mas, prometa-me,
         meu Sereno,
         noite dessas,
         qualquer dia,
         traz de novo
         tua ousadia
         pra brincar
         aqui em casa.







quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Poesia em pó



Ah, eu?
Eu bebo
na fonte
da poesia
instantânea
que
me analgesia,
meu amor.
A minha dor
de poema
dissolvida
nessa
veia literária
é vida
que avinha.
E é tanto,
que já me faz
durar mais
de cem dias
tonta;
sem te sentir,
sem teu encanto.





terça-feira, 5 de julho de 2016

Tuas estrelas



   Vi que o passado
   desfilava 
   na luz 
   daqueles olhos,
   me presenteando.
   Não resisti.
   Usei meus pés
   de Curupira
   e despistei
   os caçadores de futuro
   que viviam em mim.


  



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Formas, tempos e modos de amar


   


            Vívido é uma maneira de amar acentuando o particípio vivivo. Já o futuro tem um modo subjuntivo de amar, o obscuro. O indicativo é modo que se pode amar em um tempo presente. E é bonito, porque é um jeito de amar sem passados, sem particípios espetaculosos, sem futurações _ futuro com ilações.
        Ora, deixe isso quieto. Melhor amar e pronto. Afinal, amar é forma infinitiva onde o verbo se mostra naturalmente. É o falar sem roupas, é o verbo nu. Exprime a ação de maneira indeterminada, não tem um tempo certo, um modo certo, uma pessoa certa. Amar, e, infinitivamente, amar.   
         

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Intemporalidade amorosa

          

            Nunca soube temporalizar meus amores. Tudo é tão vivo.  É do meu passado? Esteve no meu futuro? Estará no meu presente? Para mim a rigidez do tempo transveste, falseia, armadura muito. E um tempo convencionado não cabe, não veste os amores que trago.
          Como um Michelangelo os amores que vivo são grandes obras inervadas, inacabadas. O verbo deles é sempre gerundial: passando, presenteando, futurando. Meus amores são assim, pecaminosamente, reticenciados. Todos.


sábado, 12 de março de 2016

Stumbles



Ando, ando e ando.
E ando assim
tão 'em caminhada'
que tropeço
em amores pontiagudos.









quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Eu no mundo


Meu movimento 
é no sentir do universo:
cato vento,
conto estrofe,
canto poesia.
É em verso 
que no universo 
me movimento.






quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Categorias de colecionadores



Um amigo meu coleciona mentiras,
uma amiga tem uma coleção de vantagens,
um outro coleciona hipóteses,
Eu, hiperbólica, coleciono meus absurdos.






domingo, 7 de fevereiro de 2016

Uma noite de sábado


      
          
                  Ele:
                   _ E você o que bebe?
                  Ela:
                  _ Nada. Nada que ao seu lado me deixe ajuizada.





sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Tratos e retratos


Lécia Lucas


                       Ele tinha tudo dela. Desde o suave feminino delimitado por Waterhouse à imensidão colorida da mulata hirta Di Cavalcantiana. Vivia ali, pregada na parede da alma dele. Um dia, o metal do pescoço acorrentou a fala e as palavras se esconderam na garganta, na cova funda do medo. No fosso da covardia. Assustada, ela se desemoldurou.
 
        
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 2 de janeiro de 2016

Horário de voos




             Hoje num sonho, li na primeira página de um livro: "Feliz ano mudo para quem não sabe voar." Chamou-me à responsabilidade.  Então, para os fuselos o ano gritará. 



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A árvore que me abre




             O natal é mesmo um tempo de revelações e exposições. As vitrines ficam mais atrativas, as cidades mais iluminadas e as casas espelham seus donos, nas decorações natalinas.  Falando dessas revelações, exponho-me para exemplificar. Sem pensar muito, fiz uma árvore de natal prateada. Nunca havia feito uma árvore monocromática, sempre fiz árvores multicoloridas. Desta vez, bolas, enfeites, laços de fita, tudo prata. Usei led na iluminação. Ficou claríssima. Mas o que ela diz de mim? Onde minha árvore me representa? 
             Primeiro, a luz brilhante, como Goethe no fim da vida: "Luz! Mais Luz!" Termino o ano vendo o escuro dele. Um ano de muitos "escondes", abstruso, de pouca clareza. Vejo isto não só em minhas relações, nas relações interpessoais e familiares que presenciei, mas também na vida do país, no mundo. Na semana passada, por exemplo, vimos juntos uma justiça brasileira aliada a políticos insistentes que querem manter muros altos de proteção onde não cabe defesa. No Bataclan de Paris com Hell's Angels, e na lama de Bento Rodrigues, tivemos tramoias e esconderijos. O rato. Para quem acredita, coincidentemente, 2015 é o ano do Rato no horóscopo chinês. O bicho esperto que vive enfurnado em buracos sombrios e é incansável em suas esperas na criação de oportunidades. Ano que vem, 2016, será o ano do macaco, o bicho que mais se aproxima do humano. Quem sabe o macaco nos ensinará, com graça, a evoluir nas questões políticas, humanas e pessoal.
            Mas, além da luz branca, cintilante, minha árvore prateada traz mais significados para questionamentos. Sem perceber coloquei laços, muitos laços. Então,  dos meus laços, quais deles eu preciso? Quais devo apertar, ou afrouxar?
            Da prata? Ora, sabemos, a platina é mais preciosa que o ouro. Vale mais. Pois é, talvez eu tenha que me fazer mais cara para mim mesma, para os que me rodeiam e para quem mais vier.
           E sua árvore de natal? Como você se lê nela? E se ela não existe, como você faria sua árvore?
           Que venha um natal de abençoada conscientização para todos nós, e um ano novo de resgate de nossos preciosos valores como patriotas e como pessoas.








 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Das ilusões


    Tenho
    visão
    borrada
    e não vejo
    detalhes,
    querido.
    Por isso
    te confundi
    com meu
    grande amor.
 
 


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Contradições


Vem a noite
com escuridades
vem o dia 
e alumia.
Vem o cão 
com seu sermão,
vem um Deus
com sabedoria.





quarta-feira, 4 de novembro de 2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Enredado em suas rendas

 

                    Notava que ela já escrevia sem as amarras nas mãos. Aquelas mãos agora bailavam libertas. Os dedos podiam saltitar sobre as teclas como que debulhados de uma espiga. Aqui na cama, pensamentos e cognições de combinações binárias me chegavam. Acolá, naquela mesa, o computador esperava por pensamentos femininos fugidios.
                 A renda telha acetinada não lhe cobria o corpo, muito mais o acariciava, desenhando em suas costas brancas e magras, umas flores grandes e determinadas que entravam pelos meus olhos espinhando-os. As mãos, a mesa, a cama, o computador, os pensamentos, o sistema, a trama da renda, as flores e seus espinhos turbilhonavam, redemoinhavam em minha cabeça. Tudo era dela. Tudo era ela. Eu não era, eu não tinha nada.
 

 


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A égide



          E enquanto vinha do vento toda espécie de desaforo e violência no caule e nas folhas, os galhos se entrelaçavam em abraços cada vez mais sinceros e protetores. Permaneciam assim fechados numa teia enorme, agarradinhos. Ouviam sem medo, o uivo da tempestade e tinham suas dores umedecidas, balsamizadas, amortecidas pelos respingos do afeto da chuva que caía.   

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dissidência


Hermé Antune

Ajeitou os cabelos
Pintou a boca
Tirou o roupão
Vestiu-se de seda
Despiu-se do anel
e saiu em protesto
contra sua solidão.









terça-feira, 28 de outubro de 2014

O homem na cama


A cabeça cirandava
no travesseiro
de penas
e sonhos apenados,
Os pés deixaram
os passos lá fora.
As mãos
acenavam
para o passado.
A morte lenta
descia sua luz fraca
no tablado
de seu corpo
apoucado.
A luz da janela
batia naquele rosto
e o condenava
à escuridão da cama.
No chão,
a mal lavada alma,
Uns dedos grossos
engatilham a calma,
E todos os dias
ao seu ouvido
a vida fica ali,
zunindo em despedida.







quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Reverso


Hoje quis
o movimento
inverso
de uma flor
Entrei por
 um pistilo
e caminhei na raiz








segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Presa no encanto




       Outro dia um amigo me disse que eu precisava sair. Achou-me ensimesmada. Respondi a ele que estou presa por 'encanto'. Comecei a pensar sobre isso, me imaginar pondo a cara pra fora de casa. Abri uma frestinha de porta e pude ver, há um mundo lá fora. Estamos em primaveras: eu e a natureza. Vi árvores floradas, quietas, paradas como eu, e assim como eu, com aquela calma de quem acabou de parir. Fiquei presa no enquanto. Com ouvidos colados à parede e através de minhas janelas ouvi o mundo. Do alto. Ouvi o mundo sobre um rochedo, como o faz uma sereia. Um mundo assoviado por cigarras que me remontam ao passado. Exageradas, elas bebem todo o orvalho da noite, cantam à exaustão, estouram de cantar e ainda me apavoram.
       Sim, estou presa em cantos. No canto das cigarras, no meu próprio canto. Na minha encantadora caladura de sereia trazida por Kafka, no seu "Silêncio das Sereias": "As sereias, porém, possuem uma arma mais terrível do que seu canto: seu silêncio."








terça-feira, 23 de setembro de 2014

Poder do querer

 
 


     Na primavera floram
     verões, outonos e invernos
     Flora o que a gente quiser
     que flore na vida da gente










sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Coautoria



                             Bruno Catalano
                                                    

Viveu tanto tempo
nos sonhos dele
como hóspede,
que tornou-se
partícipe.
Resolveu ficar 
por ali mesmo.











domingo, 7 de setembro de 2014

Um espinho de flor



Dou minhas costas
à sua canção
Você de asas, adora meu dorso.

Faço sombra
à sua imagem
Você no escuro, me perdoa em reza.

Sujo seu nome
Traço fugas
Você na lama, minhas chagas cura.

Meu liberto e sombrio amparo,
Por que me quer de perto,
Se no amor sempre te deserto,
Se sou veio de um rio na sua dor?








terça-feira, 26 de agosto de 2014

Da análise



        O olhar de cobra pousava nela cobrindo-a com suas asas gigantes. Embora esquivasse, mais retida se sentia na escuridão do lugar. Tentou um grito, não veio. Aquietou-se encolhida naquelas penas enormes, verdadeiras piedades. No vão da plumagem ela via árvores floridas balançadas, e folhas indefesas fustigadas pelo vento. Do liláceo das pequenas flores que caíam ela remontava lenta e cuidadosamente sua infância, sua mocidade, seu presente ganho. Seu movimento era, então, redemoinhado. Assim, muito espiralado, de fora para dentro do dentro.
 





 
 
 
 
 

sábado, 23 de agosto de 2014

O complexo de Diana




Uma predadora, 
presas ímpares
em tantos pares.
Um amor solto no ar,
outros amores nos bares.









terça-feira, 8 de julho de 2014

Tuas vindas


Quando 
com a calma
de flores adultas 
mortas,
aninhas cá 
no meu peito
e te descansas,
suporto.
Mas se danças,
criança,
em meu coração cansado
e dás cambalhotas, sofro.

sábado, 5 de julho de 2014

O lado de dentro acordado




          Minha insônia me dá muito de mim. Diz-me como tenho me permitido ser habitada. Fala do meu corpo e de onde ele me chama através da dor. Sem dormir, percebo como são estreitas minhas costas  magras para os perigos da cama no mundo. Posso sentir com a insônia minha debilidade pulmonar reclamando sustos contidos. Conta-me minha insônia com que pés tenho andado, e com quais deles devo seguir caminhando. A cidade em mim não fecha suas asas. O estado não se aninha aqui dentro. Não cala o bico o país que povoa meu quarto. Meu universo não fecha olhos. E a menina dos meus olhos não aceita esta mesma cantilena, quer outra canção de ninar.



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Inquirida

Ilust. Denis Zilber


Quem vem
me ver?
Que verve
em mim vê?
Que verme
me vem?
Quem vai
viver-me?









segunda-feira, 9 de junho de 2014

A carta: "Os enamorados"



Chega no baralho aberto
de empilhada escuridão
Revela incerto universo
Uma visita Eros a Psiquê?
Um "habitué" do meu corpo
Eros amava e se encobria
Psiquê a tudo clareava
Exponho-te em meu jogo
Fantasma fantasia
visão 'fantus', tarot
Gula pantagruélica
de sonhos não santos
Quem a mim negra,
me assume claro encanto?
Não tem eira nem beira
Vem pelo faro
Vem pelo ralo
Me povoa e me rende
Enreda-me como polvo
Divina íris verde escura:
caco de vidro lancinante
Complexo adulto frágil
Ágil sábio no meu corpo
sacro, magro, assimétrico 
Granada, água- marinha,
opala, esmeralda, ágata,
brilhante, pedras semi 
e preciosas.
E numa fantasia galante 
quem pedra me espera?









quinta-feira, 5 de junho de 2014

O sonho de uma presença


                       

         O tempo não está lá atrás ou lá fora. Ele vive aqui dentro e ocupa os cantinhos do presente ou fica na nossa imensidão de futuro. O tempo é presente ou futuro e não há como “ter” um tempo passado, o tempo é ou será. O passado não deve viver... senão nos relatos de nossas histórias. Por falar em história, conta-se que certa vez perguntaram ao astrônomo italiano Galileu Galilei a idade dele. Ele dissera, na ocasião, que tinha oito ou dez anos e que na verdade ele só tinha os anos que lhe restavam de vida, porque os vividos ele não os tinha mais. E para ele anos passados eram como moedas gastas: não eram mais dele.
       Em nossa cultura contamos os anos passados de nossas vidas. Por certo, isso nos prende ao passado. Assim, nos relacionamos com o passado como se estivéssemos soltando pipa: prendendo-o numa ponta e cuidando para segura-lo por uma linha. Talvez romper com essa amarrazinha nos permita flutuar em paz no presente e rumar ao futuro. O ideal é que tenhamos “el tiempo entre las manos”, controlando-o no presente e ‘futurando-o’.
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Não pise na flor

    

Te, ti, teu, tua,
nada é meu
ou para mim
nesta rua
Se, si, seu, sua
nada de nós
nessa lua
Atéia, à toa
louca, crua
nunca fui pouca.
Um pronome?
_Eu.
Minha língua
gélida e dura
Nunca contígua
_Solta.
Um possessivo?
Minha. Só minha.
Nesta vida
vim sozinha.







quarta-feira, 21 de maio de 2014

Subjuntividades



Christian Schloe
 
        Se eu pudesse seria seu único canal condutor de notícias. Monopolizaria suas fontes de informação e só traria boas novas para arrancar seus mais sérios risos. Daria notícias engraçadas para provocar suas gargalhadas mais fiéis. Também contaria todas as mentiras que você quisesse ser feliz ouvindo.
        Transformaria em sua casa o mundo e o mundo em sua casa, se eu pudesse. Uma vida sem portas nem trancas. O mundo seria uma sala de receber suas melhores visitas. Faria deste mundo uma casa circular assim: um quarto de sonhos lindos de se realizar, e os três quartos restantes seriam ausência de seus pesadelos.
        Se eu pudesse faria de sua janela de olhar dentro de si um mundo feio, uma espécie de gaveta de criado mudo, segredada.
       Também se eu pudesse, te daria as melhores combinações de letras. E das palavras prontas emitiria os sons mais harmônicos e cadenciados aos seus ouvidos. Eu te daria todos os poemas por fazer e todas as músicas compostas. Poderia ainda, te pintar de toda cor, te redesenhar e te revelar em telas.   
       Ainda se eu pudesse, te daria uns beijos gritados e uns abraços mais silenciosos depois de cansada.
       Ah, se eu me permitisse! Se eu te permitisse eu me daria tanto.
 
 
 
 
 
 

sábado, 12 de abril de 2014

Olhos de te plantar


                                                                        Mark Hyden

Nos meus olhos marrons,
tua semeadura.
Nos teus olhos verdes,
meu germinar.







Genealogia


                                                                                       Ilst. Alessia Lannetti

O teu tronco de árvore
a tua casca grossa
teu riso torto galho
A seiva.
A raiz de teu pé de meia
Nossas meias verdades
A verdade absoluta mente
A sola.
Tua mente semeia dúvida 
Tuas lágrimas de crocodilo
A sombra.
Tudo degela meu coração
duro e se queda em cachoeira
Rio.
Um rio escorre de olhos d'água
na minha nossa cara de pau.