Também a palavra se enche de estar uma coisa só no mesmo lugar de ser, o tempo todo, e exige da gente que a levemos para um passeio na vida de outra palavra, vez em quando.
No cerrado de frutinhas sem graça, a gabiroba esnoba seu bom gosto agoiabado róseo, Cheira a estilo frutado como ninguém. Um chapéu de cinco pontas e aquele amareladinho viço que só a gente moça tem. Gostosa, irreverente e afetada, como a cato, a gabiroba rouba toda a 'outubridade' do mato.
Do inverno que passou o quê de amores tu viste, o quê de amores vieram? Foi vento frio de onde se espera? ou foi bom porvir que não veio? Se o inverno foi aspereza tanta, passou a época de nésperas, do verde travor na garganta. Em tempo: é primavera. Foi-se a época de imatura espera, Que da gente, só aldrava o coração. É pois, a abertura das flores, Tempo de flora dos curadores E mil beija-dores virão!
Vida bizarra da ci-cigarra, passssa a vida num buraco de chão, sai, e a um tronco se agarra. Daí, noite e dia, chia, chia, ninguém liga. E a vida cegarrega segue à risca, segue a regra, ela morre e volta pra debaixxxo da terra. Que sina da ci-cigarra: passa vida e morte enterrada.
Tenho pena de quem clama por quem clama, de quem chora por quem chora, de quem rima por quem rima. Se clama, se chora, se rima, não conta com quem estima.
Se te faço confundir, nem me perdoa. Mas toda beleza do fardo de um fogo só se totaliza na leveza do apagar. Leve: fogueira nenhuma acende afirmativas do eterno. Nem perdoa, meu amor, se te acinzento tanto, quando teu enfim, nalgum presente pintalgado nos futura. Por teus beijos crédulos,
por meus beijos desprevenidos,
por meu amor acrômico... Tampouco me desculpe, viu, seu moço, pelo desfuturo que te anoiteço ano a ano; é que o sem-fim que eu conheço, não vive aqui fora, mora no intáctil humano.
Na saída do consultório, ainda meio zonza, olho meu carro à frente. Por um triz, volto meus olhos para o passado, aí sinto meu pulso. No relógio: 12:34. O relógio diz que é tempo de sequência. É hora de seguir em frente.
E tu, Leôncio? Conte-me o que tece o teu ciúme com os fios do teu silêncio? Um cardigã novo para teus velhos invernos ou com o fio brilhante do teu orgulho tu teces pontos eternos?