Levina, impaciente, vinha do minimizado: barraco, barriga materna espinhosa, roupas miúdas, comida pouca, toco de lápis, família sem "pedigree". Vívian, calma, vinha de amplidões: casa grande, barriga materna almofadada, roupas longas, mesa farta, caixa de lápis 120 cores, família tricentenária. Duas grandes mulheres vítimas da pequenez masculina; o feminicídio.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Atrelações
Enquanto
os raios do sol
vazam
entre nuvens escuras,
eu entranço
minha luz
à tua sombra.
Entro-te.
Enlaço
teus escuros,
coo tua história,
te suavizo.
Teço-te penumbra.
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Astenia
Ando
que te ando
tanto,
que me cansa
andar-te.
Tropeço-te.
Caio de joelhos,
me peço a Deus.
Levanto.
Ando
e me cansa
andares,
te despeço
adeus.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Da série: Poesia Ilustrada
e quem diria
que um amor
puro e verdadeiro
pudesse
ser achado,
um dia,
numa esquina qualquer?
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Imprecisões
Naqueles
olhos amarelos,
um porto
ensolarado.
Os navios
que de lá
zarpavam
eram sobejos
de verdades
amareladas
indo embora
de mim.
Aqueles
olhos porto
alaranjado,
minha
imprecisão
de sina
e a ginga
dos navios
na água,
me fizeram
zíngara.
Uma cigana
a enveredar,
acobreada,
por uns olhos
marejados.
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Santa morte
Quando eu solto Barrabás,
te desprendo, meu amor.
Quando solto Barrabás
é a ti que despenitencio.
Que não te enganes:
tu vieste à lança, às pontas.
E pensar em nós foi sempre
doer espinhos na testa.
Quando solto Barrabás,
não é para essa tristeza infinda
de ver nos teus olhos a dor
da libertação que aí se aninha.
É mais, se não apenas;
para tua festa e a minha
de libertar-te desta vida.
Da tua vida de apenado,
da nossa vida de penas.
domingo, 20 de agosto de 2017
Das idas e vidas
Eu falo
que já vou tarde,
mas tenho olhos
pendurados
na volta.
Eu digo
que já vou indo
e olho para trás.
Levanto-me.
E mais uma vez
tem uma volta
irrequieta em mim.
Entendo.
É que falo
de adeus
com a mesma
incerteza
de quem,
numa corda tesa,
caminha
sobre o abismo.
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Viagem
A estrada
que leva
o sol embora
me leva
pra casa.
Pássaros voam.
Voo estrada,
voo vida,
vou com os pássaros.
A estrada
que leva embora
os pássaros,
voa vida,
voa sol,
voa eu.
A estrada
que leva embora
a vida:
vou sol,
vou pássaro,
vou eu.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Adultices
Mundo
bala
de gelatina,
mundo
bala de aço.
Mundo
bolhinha
de sabão,
mundo
bolinha
de nióbio.
Mundo
sangue
no olho,
mundo
bala
na agulha:
mundo
adolescente
em conflito
com a lei.
domingo, 13 de agosto de 2017
"A passagem"
caminho
do aeroporto JK
há um túnel
dourado
que para no ar;
Paira,
plana
sobre
as vontades.
Enleva:
me põe
no caminho
do meio.
E eixa:
me impõe
rumo certo.
Dobra-me
em tantos
dáblios.
Dablia:
me faz repetir.
Túnel
que asa,
que infla,
que me solta
em pipa,
que me mariposa.
Ponte
movediça
sobre o nada
de um rio.
Meu móbil.
Passagem
guindada,
aérea,
pêndulo áureo
do meu vazio.
Meu móbile.
Infindo arco
iluminado
que me acopla
à sua presença;
E me venta,
e me bafeja,
e me assopra em você.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Novelo sem pontas
Perguntam-me
se acabou.
Não. Sim.
Não sei.
Eu nunca
soube de nada.
Não entendo
de fins.
Sei tão só,
que tuas paredes
ainda povoam
minha casa.
És tranca,
tronco,
quartos
e membros,
além do pó
na minha
(estanque)
sala de visitas.
Fica no fim
do meu corredor,
teu espelho
mais embaçado.
É no teu tapete
que tropeço,
que me arrasto.
É no teu tronco,
que teço teias
sem ver tuas pontas.
É no adocicado
de minhas veias,
que te seivas tonto
sem que vejas o meu fim.
domingo, 6 de agosto de 2017
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Um inocente carinho
Ele fala
com a mão no peito,
como quem diz:
"é aqui que dói".
E cada vez
que leva a mão
a essas feridas,
ele reduz suas chagas
mesmo sem saber
que o faz.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Pálidos caminhos
Inda que
seus braços magros,
aborboletados,
esbraseantes
e pincelados de sol,
me ceguem o caminho;
mesmo que
o grito da tatuagem
nas suas costas duras
calem toda
minha primavera,
eu deixo seu colorido
e sem nenhum para onde
sigo corpo ereto,
preto e branco, mundo afora.
domingo, 30 de julho de 2017
Nudez da alma
Não mesmo.
Você não
me põe em xeque.
Mas ao seu lado
não me dono;
me impreciso tanto,
que me fecho em copas
e me abro em leque
quase ao mesmo tempo.
sábado, 29 de julho de 2017
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Licença para pousar
Ele sempre volta:
óculos escuros
a esconder olhos escusos;
Óculos escuros
a desviar olhos obtusos.
Vem de ombros flectidos,
coluna densa de desculpas.
Na mão,
um poemazinho sem brio;
na prosa, "old news".
Empurro goela abaixo.
Ouço.
Pra me dourar,
florzinhas na camisa,
caramelos derretidos no bolso.
Traz um novo canto
para nosso leito
e uma penúria além-mar...
E eu, se me convém, aceito.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Releituras
Arde tua voz
congelada
pelos meus ouvidos.
Nada morre enquanto mel.
Minha mão pranto te acena.
Teu queixo retido
nas minhas retinas
retira-me do peito o eixo.
Olhos bêbados,
a tudo fito.
E fico peito bobo
quando te vejo.
Mas se me vem
da razão o lume
sobre teus queixumes,
são mil abelhas soltas.
Enxame é teu ciúme.
Insensatez, nosso liame.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
domingo, 16 de julho de 2017
De olhos fechados
![]() |
| Lucy Campbell |
De onde venho?
Venho
do Morro Vermelho
da tua infância feliz.
Trago-te cravo e canela
para que te perfumes
e flores celestes
pra decorar teu devaneio;
Trago de estrelas amarelas,
vívidas e do meu universo,
um balaio quase cheio.
Trago um Shakespeare
amarelecido
para que tu te espelhes,
(um espelho mágico inglês)
para que no infinito
me vejas ao teu lado:
lugar onde sempre estive,
ainda que apunhalado.
sábado, 15 de julho de 2017
Doces e bárbaras
Lá vai a rua,
toda cheia de si,
toda cheia de lua.
Lá vem a lua,
toda cheia de si,
se alastrando na rua.
Lá vou eu: crua.
Cheia de lua,
de mim e da rua.
Saídas
E agora
que você foi embora
de nós dois,
eu também já vou indo.
Vou buscar
um outro sonho
que caiba no seu lugar.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Cores da alma
de uma ou outra
resolução,
do antigo
"preto no branco".
Mas o bom mesmo
é colorir
o pensamento
com as cores vivas
do futurismo
e viver,
nesse bambo pós-moderno,
o voo frágil das pipas.
terça-feira, 11 de julho de 2017
A valsa da mulher
Na bandeja
de prata,
"petit" ciúmes.
Estável,
ele dela
consome
instantes,
na estante
sala de estar.
Estanque
na dúvida
renitente,
uma obsessão
máscula.
Por trás
da gargantilha
esfuziante,
a garganta fosca,
átona,
desmusicalizada.
No feixe brilho
do espelho,
um homem lápide,
que vê de si,
lá, o dó.
E uma mulher ao lado.
Nos pés dessa mulher,
sapatos baixos de fuga.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Eu sibilante nos braços de Morfeu
Se queres ir embora,
diz-me serenamemente.
A ti peço leveza.
Cochicha.
Suaviza.
Assopra-me o corte
e sai devagarinho
na ponta dos pés.
Agora, muito mais
peço para não
me acordar a razão,
porque o meu coração,
já nessa hora,
dorme o sono dos justos.
domingo, 9 de julho de 2017
A voz rouca dos sonhos
Foi então
que ele me disse
assim:
"Não tenho
sonhos partidos,
porque
eles são educados
por mim.
Aos meus sonhos
ensino sequência:
tudo começa,
tem meio
e tem um fim.
Não tenho
sonhos soltos,
tampouco os aturo.
Aos meus sonhos
instruo prazo
de permanência:
há um passado,
o presente
e um futuro."
Eu, azoada,
sabe o que fiz?
Levantei-me e saí.
Achei enfadonho.
Afinal,
não sou mulher
para um homem
de amestrados sonhos.
Ainda mais eu
que tenho acolá
um pé de sonho revel
pra aguar.
sábado, 8 de julho de 2017
Roupagens
O dia veste amarelo
(meu ouro)
e eu visto seu dourado,
o "crush" do dia.
De dia, sou transparência.
A noite veste cinza
(meus restos)
e eu visto seu negrume,
o "dislike" da noite.
À noite, sou segredo.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Na minha cabeça, é primavera
Verdade?
Faz zero grau
no teu peito?
Um frio interno
que ninguém vê?
"Je suis désolé"...
não fui eu
quem fez
nosso inverno.
quarta-feira, 28 de junho de 2017
"Acarinhada"
Ventava
no meu nariz
umas
folhinhas secas;
era a natureza,
que lendo
minha solidão,
vinha me
fazer cócegas.
Assinar:
Postagens (Atom)






































